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terça-feira, 13 de julho de 2010

Xangai 2010: Ausência de paz exclui possibilidade de desenvolvimento integrado – Ramos-Horta

Xangai, China 13/07/2010 13:41 (LUSA)
Temas: Política, Sociedade

*** Serviço vídeo e áudio disponíveis em www.lusa.pt ***
Sílvia Reis, enviada da Agência Lusa

Xangai, China, 13 jul (Lusa) – O presidente de Timor-Leste, José Ramos-Horta, disse hoje na Expo 2010, em Xangai, na China, que a ausência de paz exclui qualquer possibilidade de desenvolvimento integrado das cidades.
“Obviamente, quase se pode dizer que conflitos, ausência de paz excluem qualquer possibilidade de desenvolvimento integrado, sustentável, que possa levar ao progresso social, melhoria de vida das populações”, afirmou José Ramos-Horta.
Na conferência de imprensa após as cerimónias oficiais do dia de Timor-Leste na exposição universal, o Prémio Nobel da Paz salientou ainda que a “paz é condição ‘sine qua non’ para o desenvolvimento”.
Questionado sobre se a paz deveria ser tema de uma futura exposição universal, o chefe de Estado timorense referiu o papel das Nações Unidas, da União Europeia e de outras organizações para a consolidação da paz no mundo.
“A essência da existência da ONU, a sua razão de ser, ‘raison d’être’, é a preservação da paz no mundo, portanto é uma instituição permanente, assim como a União Europeia”, declarou, acrescentando que a UE “surge após a segunda guerra com enorme sucesso”.
Ramos-Horta apontou ainda a tarefa da União Africana ou da organização dos países de América Latina, que “existem, precisamente, para preservar a paz”.
“Felizmente é um tema permanente, mas também infelizmente”, comentou, reconhecendo que apesar de “60 anos de esforços feitos por muitos em todo o mundo, esses esforços não têm sido coroados de êxito, porque os conflitos continuam em muitos pontos do mundo”.
Já no discurso que proferiu a propósito do dia de Timor-Leste na Expo 2010, Ramos-Horta destacou o crescimento económico do país, que considerou ser um testemunho da resistência e dos esforços para melhorar a qualidade de vida da população.
O Presidente timorense manifestou ainda o desejo de que o país possa seguir o exemplo da China, que conseguiu uma taxa extraordinária de desenvolvimento e, ainda, proteger o ambiente através de energias alternativas e de uma prudente gestão de recursos.
Realçando que a sobrevivência do planeta está ameaçada pela destruição das florestas tropicais, o degelo dos glaciares ou pelos gases com efeito de estufa, Ramos-Horta reconheceu que as alterações climáticas “são um dos, senão o maior desafio” que o mundo enfrenta.
O chefe de Estado, o primeiro de língua portuguesa a visitar a Expo 2010, apelou ainda para que a Ásia assuma a liderança na luta contra a “enorme ameaça” que são as alterações climáticas, justificando com o facto de vários países deste continente, particularmente a China, mostrarem como é possível ter prosperidade e estabilidade sem destruição dos ecossistemas.
Com o lema “Esteja connosco, esteja com a natureza”, Timor-Leste é a segunda nação mais recente presente na Expo 2010, depois de Montenegro.
A exposição, dedicada ao tema “Better City, Better Life” (Melhores Cidades, Melhor Qualidade de Vida), conta com a participação de cerca de 240 países e organizações internacionais.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Lusa/Fim

Xangai 2010: Relações entre Timor-Leste e China “excelentes em todos os domínios” – Ramos-Horta

Xangai, China 13/07/2010 14:04 (LUSA)
Temas: Economia, Negócios e Finanças, comércio externo, Política, Diplomacia

*** Serviço vídeo e serviço áudio disponíveis em www.lusa.pt ***
Sílvia Reis, enviada da Agência Lusa
Xangai, China, 13 jul (Lusa) – O Presidente de Timor-Leste afirmou hoje que as relações com a China “são excelentes em todos os domínios”, salientando que o país de língua portuguesa tem sido “beneficiário de muita ajuda” do gigante asiático.
“Temos relações de estado, conduzidas pelos dois respetivos governos, assentes nos princípios que os dois governos subscrevem de respeito mútuo, de respeito pela nossa independência, integridade territorial, cooperação mútua para beneficio da paz, estabilidade na região”, disse José Ramos-Horta em Xangai, na China, onde hoje participa no dia de Timor-Leste na Expo 2010.
O chefe de Estado adiantou que as relações entre os dois países “alargaram-se para outros domínios”, como a economia, anotando que “a China hoje tem uma presença significativa em Timor-Leste na área de investimentos”.
A este propósito, deu o exemplo a participação da China num investimento de 400 milhões de dólares americanos que pretende levar eletricidade a todos os distritos de Timor-Leste até dezembro de 2011.
Ramos-Horta apontou ainda a aquisição de embarcações à China para a “defesa marítima” de Timor-Leste, sendo que o contrato com a empresa chinesa inclui formação a elementos das forças armadas timorenses.
O chefe de Estado acrescentou que as relações comerciais de Timor-Leste são, “naturalmente” e, “sobretudo, com os países vizinhos mais imediatos”.
“A maior parte do nosso comércio é por exemplo com a Indonésia, com a Austrália e, cada vez mais, com a China na compra de produtos de consumo, mas também de equipamento”, notou, considerando que as relações comerciais com os estados da Comunidade dos Países Língua Portuguesa (CPLP) “são muito limitadas pela distância grande que separa Timor-Leste de Portugal ou do Brasil”.
Ramos-Horta admitiu que através do Fórum CPLP-China, sediado em Macau, “procura-se incentivar ainda mais as relações da China com a CPLP”, mas observou que “essas relações fazem-se mais no plano bilateral do que através de algum organismo multilateral ou regional”.
“Veja as relações da China com Portugal ou hoje da China com Angola, não se faz via o Fórum CPLP em Macau, faz-se via bilateral”, referiu.
Segundo o presidente timorense, “o fórum talvez seja muito mais útil, prático, para em parceria com as embaixadas de cada país em Beijing [Pequim] de dar informações para os investidores chineses sobre o potencial dos mercados em cada país da CPLP”.
“Pode ajudar nesse sentido de disseminação de informações de cada país ou de disseminação de informações da China para cada um dos países da CPLP”,
acrescentou Ramos-Horta.
*** Este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico ***
Lusa/Fim