quarta-feira, 13 de Maio de 2009

FINANÇAS DA FRETILIN SOFRIAM DE “MALÁRIA CRÓNICA”

Díli, 12 Mai (Lusa) - O primeiro-ministro timorense contestou hoje as acusações de corrupção feitas ao Governo pelo maior partido da oposição, considerando que o Ministério das Finanças da Fretilin até 2007 sofria de "malária crónica", e anunciou a criação de uma Comissão Anti-Corrupção.

Mostrando uma fotografia do gabinete da ex-ministra das Finanças do Governo Fretilin, Madalena Boavida, literalmente feito uma bagunça, Xanana Gusmão declarou: "A Fretilin caiu porque o seu Ministério das Finanças sofria de malária crónica."

O líder do executivo timorense respondeu assim a acusações de corrupção feitas pelo maior partido de oposição na segunda-feira à sua equipa: "Quando o Ministério das Finanças - actualmente dirigido por Emília Pires - se constipa, os outros ficam doentes", disse a Fretilin.
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Madalena Boavida "sofre de malária crónica", disse Xanana Gusmão, comparando o suposto padecimento com a alegada falta de saúde do Ministério das Finanças da Fretilin.

Taco a taco, esgrimindo a publicação da posição da Fretilin sobre a alegada corrupção no Governo timorense, nomeadamente elevadas somas dispendidas sem resultados à vista, o primeiro-ministro contou um rosário de avultados pagamentos feitos a assessores internacionais pelo executivo liderado por Mari Alkatiri.

Confrontando os presentes na sala da conferência de imprensa com uma fotografia a cores da bagunça no gabinete da Madalena Boavida, exclamou: "Diz-se 'a mess' (confusão) em inglês e 'uma merda' em português."

Xanana Gusmão deplorou que o Ministério das Finanças da Fretilin carecesse inclusivamente de Lei Orgânica e vincou o seu "orgulho" pessoal e o do seu Governo na instituição dirigida por Emília Pires.

"Só posso estar orgulhoso com o processo de reformas levado a cabo pelo Ministério das Finanças, fruto do trabalho desenvolvido desde 2007", sustentou.

"Conseguimos e vamos continuar a trabalhar, embora sabendo que não atingiremos o objectivo de um momento para outro", acrescentou.

O primeiro-ministro foi claro: "Não aceito que digam que os meus ministros são corruptos, mas admito que digam que o sistema montado - no país - permite a existência de corruptos."

Desdramatizando as acusações da Fretilin, precisou: "Alguns dos meus ministros até estavam colocados em agências internacionais a ganhar salários da ordem dos 4.000 dólares/mês (cerca de 3.000 euros), vindo para o governo receber 700 dólares/mês (500 euros)."

"Então, como é que os podem acusar de corrupção?", disparou, questionando: "Se antes não tinham tantas responsabilidades e preocupações, como é que não os posso deixar de defender agora?".

Xanana Gusmão anunciou a criação de uma Comissão Anti-Corrupção que vai passar a pente fino toda a actividade do seu Governo e foi mais longe, revelando ter obrigado os ministros - antes de tomarem posse - a apresentar uma lista dos bens próprios para, ao saírem, fornecerem uma lista actualizada para apurar se entretanto acumularam algo indevido.

"A Comissão Anti-Corrupção não vai olhar apenas para o presente, mas deverá ter competências para ver o que aconteceu no passado", indicou.

A profunda reforma das Finanças e a boa gestão dos dinheiros públicos, a recuperação de projectos do anterior Governo que ficaram adiados, a excelência na qualidade da execução orçamental, a regularização das contas bancárias e o registo patrimonial, a audição mensal de relatores e a formação de um milhar de funcionários designadamente no estrangeiro são as linhas mestras do plano de Xanana Gusmão.

"A máquina administrativa do Estado tem de ser profissional", sublinhou, para acentuar: "O Ministério das Finanças não dá ponto sem nó."

"O objectivo da Comissão Anti-Corrupção é combater a impunidade característica neste fenómeno (...) e, se encontrar alguma coisa, que o comunique ao tribunal, para este notificar o Governo", disse, revelando que aquela comissão foi decalcada do modelo indonésio.

Xanana Gusmão concluiu: "Se os meus ministros tiverem um caso em tribunal irão responder, que eu tomarei conta do seu ministério até saber se estão limpos. Se não o estiverem, não regressarão."

segunda-feira, 11 de Maio de 2009

Economia mundial está "num ponto de inflexão", afirma Jean-Claude Trichet

Porta-voz dos dez maiores bancos mundiais e do BCE disse que a queda do PIB mundial "abranda"
11.05.2009 - 15h52
Por Lusa

A economia mundial está "num ponto de inflexão" e a queda do Produto Interno Bruto (PIB) mundial "abranda", afirmou hoje o porta-voz dos dez grandes bancos mundiais (G-10), Jean-Claude Trichet numa conferência de imprensa.
"Aproximamo-nos, no que respeita ao crescimento, de um ponto de inflexão", precisou Trichet, no final da reunião bimestral do G-10 na sede do Banco dos Pagamentos Internacionais, "o banco central dos bancos centrais", em Basileia (Suíça).
"Em todos os casos, observamos um abrandamento da queda do PIB (Produto Interno Bruto)", sublinhou, acrescentando: "Em certos casos vemos já uma retoma (e) noutros casos vemos que a queda prossegue, mas a um ritmo mais lento". Trichet, que é igualmente presidente do Banco Central Europeu (BCE), advertiu ser necessário manter-se "vigilante". "Ainda estamos em territórios inexplorados, mesmo se nos encontramos num ponto de inflexão e mesmo além", em certas regiões, considerou.
Os bancos centrais em todo o mundo têm vindo a baixar agressivamente as taxas de juro e os governos injectaram milhares de milhões para travar a pior recessão desde a Segunda Guerra mundial.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) disse no mês passado existirem "indicações" de um abrandamento da taxa de contracção no mundo. A economia global vai sofrer uma contracção de 1,3 por cento este ano antes de voltar a crescer - 1,9 por cento - em 2010, indicou o FMI.